Mamirau√°

por Maria do Carmo Rodrigues de Oliveira / 13 agosto 2014 / Sem coment√°rios

mamiraua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MELLO, Thiago de. Mamirauá. Tefé: Sociedade Civil Mamirauá, 2002. 127p.

Um Registro Histórico do Mamirauá, por Cecília Marigo

 

“Estou voltando de Mamirau√°. Definitivamente convencido de que o trabalho n√£o √© o pre√ßo que o homem paga para estar no mundo, mas uma forma de ajudar o mundo a ser melhor. Mamirau√° √© uma forma de amor.

Mas do que √© que estou falando? Afinal, o que √© Mamirau√°, indagar√° o leitor” … “Mamirau√° √© a mais extensa unidade de conserva√ß√£o brasileira em √°rea de v√°rzea amaz√īnica.” …

“Luiz Claudio Marigo, o admir√°vel mestre da fotografia, a primeira pessoa que me falou, cheio de entusiasmo, de Mamirau√°, de cuja vida ele vem participando, com a sua arte, desde que, faz uns vinte anos, nasceu em M√°rcio o sonho da Reserva.”

Thiago de Mello

 

Em 1983, o bi√≥logo Jos√© M√°rcio Ayres chegou a Mamirau√° para estudar o macaco uacari, objeto de sua tese de doutorado. Incentivado por seu amigo Luiz Claudio Marigo, que foi a seu convite duas vezes a Mamirau√° para fotografar a √°rea, M√°rcio redigiu uma proposta, acompanhada pelas fotos de Marigo, ao Governo Federal para a cria√ß√£o de uma √°rea protegida. Atendendo a essa proposta, foi criada em 1986 a Esta√ß√£o Ecol√≥gica Mamirau√° pela Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), com cerca de 200.000 hectares. Era uma vasta √°rea de v√°rzea amaz√īnica, habitada tradicionalmente por ribeirinhos. Mas para que se pudesse manter a popula√ß√£o local em seu ambiente, foi criado em 1990 um novo tipo de reserva pelo Estado do Amazonas, e a unidade passou a ser denominada Reserva de Desenvolvimento Sustent√°vel Mamirau√°, expandida para 1.124.000 hectares.

Mamirau√° teve um grande espa√ßo na m√≠dia nacional e internacional, onde o papel de Luiz Claudio foi relevante, tendo publicado in√ļmeras mat√©rias para divulg√°-la. Por todo esse reconhecimento, o governo brasileiro, atendendo a um desejo de M√°rcio que se preocupava com a manuten√ß√£o da reserva e sua continuidade para as futuras gera√ß√Ķes, criou em 1999 o Instituto de Desenvolvimento Sustent√°vel Mamirau√°, que hoje √© gerido atrav√©s de um contrato de gest√£o com o Minist√©rio de Ci√™ncia e Tecnologia e Inova√ß√£o.

Pela determinação de seus fundadores, é que hoje o Instituto Mamirauá é uma instituição reconhecida mundialmente por seu trabalho em prol da conservação ambiental.

Desde a cria√ß√£o da reserva, foi implementado um plano de manejo que inclu√≠a a participa√ß√£o dos habitantes locais. Marigo ia todos os anos ao Mamirau√°. Apaixonado por seu trabalho, embrenhava-se nas matas, rios e igap√≥s, documentando a fauna, a flora e os ribeirinhos em sua vida di√°ria. Fotografava com paix√£o e min√ļcia tudo o que encontrava, para revelar a incr√≠vel riqueza natural da regi√£o e torn√°-la conhecida, com o intuito, dele e do M√°rcio, de assim conseguirem apoio √† implementa√ß√£o da reserva. Deixou um registro hist√≥rico da a√ß√£o participativa das comunidades, fotografando assembleias onde eram decididos a vida e os destinos da reserva pelos pesquisadores e os habitantes, que acabaram se tornando fiscais naturais da regi√£o.

Luiz Claudio sempre teve um carinho muito especial pelo Mamirau√°, e da√≠ surgiu a ideia da publica√ß√£o do livro MAMIRAU√Ā, para deixar documentada, contada em prosa, verso e imagens, a hist√≥ria do Mamirau√°.

Por sua iniciativa, e com o aval do M√°rcio, convidou seu amigo e poeta amaz√īnico Thiago de Mello para conhecer a reserva e escrever sobre ela, o que ele fez lindamente, dividindo o texto em tr√™s partes: (1) o que √© Mamirau√° e seu hist√≥rico, (2) as pessoas importantes na reserva ‚Äď ribeirinhos e pesquisadores ‚Äď e (3) a experi√™ncia e encantamento dele na visita ao Mamirau√°.

Eu fui a autora do projeto gr√°fico do livro e da diagrama√ß√£o, j√° que me incumbia, na √©poca, das publica√ß√Ķes do Mamirau√° e fazia parte do seu conselho editorial. Fiz tamb√©m a edi√ß√£o de fotografia. Minha ideia visual para o livro foi levar o leitor, atrav√©s das fotografias, a uma viagem panor√Ęmica pelo Mamirau√°, tamb√©m dividida em tr√™s partes: (1) rios e lagos, (2) a floresta inundada, e (3) os ribeirinhos. As imagens mostram Mamirau√° em seus aspectos f√≠sicos ‚Äď a imensid√£o e os detalhes da floresta de v√°rzea amaz√īnica, sua flora e fauna t√≠picas ‚Äď e os habitantes em seus afazeres na √©poca da seca e da cheia.

Al√©m do texto primoroso de Thiago de Mello, temos ainda um escritor e um bi√≥logo prefaciando o livro com os textos: “O animal da floresta”, de Carlos Heitor Cony ‚Äď sobre o poeta ‚Äď e “Mamirau√°: constru√ß√£o e pr√°tica de um conceito de sustentabilidade”, de Eduardo Martins ‚Äď sobre Mamirau√° como um novo conceito de unidade de conserva√ß√£o, um exemplo que merece ser replicado na regi√£o e em outros ecossistemas do pa√≠s.