No destaque da foto, uma bandeira azul turquesa presa em um mastro balança no ar. Nela, as palavras ATRAVECAR E ESCURECER,em letras pretas. Entre as palavras, uma seta vermelha apontando para a direita. Nas extremidades, arabescos amarelos. Um céu azul, sem nuvens, compõe o fundo da imagem.

27 de jan
sábado, às 15h (abertura)

visitação
28 de jan a 31 de mar de 24
de terça a domingo, das 11 às 19h

local
Galerias do CCJF

valor
gratuito

classificação indicativa AL (livre)

Sinopse:

Videoarte, serigrafia e instalação. Essas são algumas das técnicas utilizadas nas obras de arte contemporânea que são fruto da mostra coletiva “Poéticas do Agora: Mostra Edital Casa Europa”, 1ª edição da Residência Casa Europa. A abertura acontece no dia 27 de janeiro, às 15h, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia, Centro do Rio.

A exposição permanecerá aberta para visitação até 31 de março e o público poderá conferir as obras que materializam a vivência de aproximadamente três meses dos artistas visuais selecionados pelo edital Residência Casa Europa: Guilhermina Augusti, Loren Minzú e Tainan Cabral. O trio participou da iniciativa realizada em 2023 que contou com mais de 200 inscrições. O júri formado pelos curadores Evandro Salles, César Oiticica Filho e Sinara Rúbia escolheu os finalistas que agora terão suas artes destacadas na mostra “Poéticas do Agora”.

Alguns dos artistas que se inscreveram, mas não foram contempladas pelo edital, também terão trabalhos incluídos na mostra Poéticas do Agora, no CCJF. São eles: Alberto Pereira, Anderson Felipe, Bianca Madruga, Bruno Lyfe, Bruno Magliari, Frank Baniwa, Jonas Esteves, Jônatas Moreira, Luanda Marie Hego, Rafael Amorim, Regina Pessoa, Sara Mosli, Saulo Martins, TAF e Vinícius Carvas.

Sobre a residência

Como parte da cooperação franco-alemã “Juntes na Cultura”, o Goethe-Institut e a Embaixada da França no Brasil, em parceria com o Centro Cultural Justiça Federal, abriram estúdios de artes visuais na Casa Europa, no Rio de Janeiro, em setembro de 2023, para a realização da residência.

Além da disponibilização do espaço de trabalho, Loren Minzú, Guilhermina Augusti e Tainan Cabral receberam uma verba de produção. Os artistas tiveram total liberdade para produzir novas obras ou lançar as bases de uma criação que ainda estava em andamento.

Sobre as obras

“Plantas do Baile” é uma série iniciada e aprofundada pelo artista Tainan Cabral ao longo da residência. Materiais como os bicos de lança-perfume – usualmente conhecidos como “bico verde” -, dispostos em corrente, simulam a queda das folhas de plantas trepadeiras e, em outros casos, com auxílio de hastes de sustentação, reproduzem a folhagem mais densa de palmeiras. A obra apresentada ilustra uma ideia de ambiente do baile. O nome “selva do baile/baile da selva” é uma referência à natureza que inspira o trabalho do autor e, ao mesmo tempo, o nome de uma favela de Senador Camará, onde acontece um baile que é rodeado de montanhas e natureza.

Já “Cenas de Corpo e Segredo” é uma série de videoarte iniciada por Loren Minzú no ano de 2020, com uma trilogia que inaugurou uma extensa pesquisa acerca das negociações entre a linguagem, as identidades e a instância do mistério que permeia a totalidade da vida universal. O artista apresentará duas novas cenas de um trabalho que tem a escala da urbanidade enquanto questão. As cenas V e VII expandem e adensam o pensamento da relacionabilidade dentro da arquitetura da cidade do Rio de Janeiro, evocando novas comunidades e articulações.

Em “Osram Ne Nsoromma”, Guilhermina Augusti investiga, a partir da signografia Adinkra, ferramentas teórico-sensíveis capazes de desestruturar o arsenal da violência da diferença articulado pela razão transcendental e universal responsáveis por guiar a existência humana. Sendo assim, surge o desejo de pensar certos signos, baseados em outra ontologia — ramo da filosofia que estuda conceitos como existência, ser, devir e realidade —, capazes de criar novas formas de interação com o mundo humano e não-humano. Tais questões são produzidas em plataforma de serigrafia, bandeira e escrita.

Sobre o Juntes na Cultura

A França e a Alemanha estão ligadas por uma história comum e uma amizade que reflete na Europa e no mundo. No Rio de Janeiro, a parceria se intensificou ao longo dos últimos anos em ações culturais, realizadas conjuntamente pelo Goethe-Institut Rio de Janeiro e pelo Serviço de Cooperação e Ação Cultural do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, em parceria com vários atores e instituições brasileiras dentro de iniciativas nacionais e internacionais.

A motivação do movimento “Juntes na Cultura” é unir forças, aprender, criar conexões e, assim, representar e aprofundar a amizade entre povos.

São promovidos projetos e coproduções, programas de residências, formações, viagens de pesquisa e seminários, possibilitando encontros interculturais e o trabalho em rede nas mais diversas esferas da área de cultura. Além disso, é valorizada a busca de paz e sustentabilidade, a diversidade cultural e o diálogo democrático.

Ficha técnica:

Artistas Residentes

Guilhermina Augusti

Loren Minzú

Tainan Cabral

Curador

Evandro Salles

Instituições organizadores

Embaixada da França no Brasil

Goethe-Institut Rio de Janeiro

Centro Cultural Justiça Federal

Minibios

Guilhermina Augusti

Guilhermina Augusti é estudante de filosofia e artista plástica, desenvolve trabalhos que discutem questões do “corpo” sob a perspectiva crítica da “diferença”, integrados ao universo filosófico e estético Adinkra, signos afro-brasileiros, geometrizações, hibridismos, recontextualizações históricas e fabulações em busca da eclosão da racialidade. Tais questões são traduzidas em serigrafias, bandeiras e escrita.

Loren Minzú

Loren Minzú, transmaculino, nasceu em São Gonçalo e vive e trabalha entre a cidade e o Rio de Janeiro. Em sua prática, o artista investiga a produção de imagens ligadas a noções temporais, espaciais e corporais, com base em ficções acerca dos sistemas perceptivos e comunicativos em relações interespecíficas. Interessado no processo fenomenológico que compõem o mundo visível e sensível, o artista observa e joga com a luminosidade e a escuridão que emanam de corpos terráqueos e cósmicos, para compor cenas audiovisuais, instalações e esculturas com vegetais, minerais, elementos matéricos e artefatos. Graduando em Artes pela Universidade Federal Fluminense, passou por instituições como Casa do Povo, em São Paulo, e Parque Lage, no Rio de Janeiro — onde compôs a turma de Formação e Deformação, em 2021.

Tainan Cabral

Nascido em 1990, em Senador Camará, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro onde vive e trabalha, Tainan Cabral tem na cultura popular da comunidade a sua fonte de inspiração. Em sua prática artística, explora diferentes técnicas e materiais, experimentando com as cores e com as formas orgânicas que encontra na rua e na arquitetura da periferia. Esse percurso empírico se materializa em desenhos, pinturas, objetos escultóricos e intervenções urbanas que apontam para uma realidade onírica e mágica, na qual reina não só o vigor óptico, mas também o silêncio e o acalanto, em meio ao caos civil das aglomerações e dos conflitos cotidianos.