Emarf, Emerj, Ejud1 e Eje-RJ realizam primeiro encontro da programação “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”

Publicado em 14/09/2026

Mesa de abertura
Mesa de abertura do primeiro encontro da programação “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”

 

 

Em iniciativa conjunta com a Escola da Magistratura Regional Federal da 2ª Região (EMARF), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (EJUD1) e a Escola Judiciária Eleitoral do Rio de Janeiro (EJE-RJ), a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, no dia 11 de setembro, o primeiro encontro da programação “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”.

Realizado com transmissão ao vivo nos canais do TRF2 e da EMERJ no YouTube, o evento aconteceu presencialmente no Plenário Ministro Waldemar Zveiter, na sede do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), no Centro do Rio, e teve os Desembargadores Federais do TRF2 Aluisio Gonçalves de Castro Mendes (Diretor Geral da Emarf) e Firly Nascimento Filho (Corregedor Regional da Justiça Federal da 2ª Região), entre os palestrantes.

A abertura do encontro contou com a participação do Diretor-Geral da EMERJ, Desembargador Cláudio dell’Orto, que deu as boas vindas aos demais participantes; do Corregedor Geral da Justiça do TJRJ, Desembargador Cláudio Brandão de Oliveira; do Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; do Desembargador Federal Aluisio Gonçalves de Castro Mendes; da Diretora da EJUD1, Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo Coutinho; do Procurador-Geral do Estado do Rio de Janeiro Bruno Teixeira Dubeux; da Conselheira da OAB Alessandra Lamha Carneiro, representando a Presidente da OAB-RJ Ana Tereza Basílio; da Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) Rita Cortez; e da Professora Doutora Teresa Arruda Alvim, livre-docente em Direito pela PUC-SP.

 

Mesa de abertura
Mesa de abertura do primeiro encontro da programação “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”

 

 

Em seu pronunciamento inicial, o Diretor-Geral da EMARF dirigiu agradecimentos aos representantes das instituições responsáveis pela realização conjunta do programa e destacou o apoio dos Presidentes dos Tribunais à iniciativa, em especial do Presidente do TRF2, Desembargador Federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho. O magistrado ressaltou ainda a importância da parceria entre as Escolas Judiciais e da participação da advocacia, da academia e de outras instituições jurídicas.

“Este evento traduz uma iniciativa muito importante de integração entre os Tribunais, suas Escolas e diferentes instituições jurídicas, ampliando a troca de experiências e o diálogo entre magistratura, advocacia e academia. Ao celebrarmos os dez anos do Código de Processo Civil de 2015, temos razões para fazer um balanço muito positivo, mas também para olhar adiante. Nenhuma legislação é eterna, e encontros como este são fundamentais para analisarmos a experiência acumulada, repensarmos o Código e até ousarmos formular propostas para o seu aprimoramento.”

 

Desembargador Aluisio Mendes
Diretor Geral da Emarf, Desembargador Federal Aluisio Gonçalves de Castro Mendes

 

Integrantes da Mesa de abertura
Participantes da abertura do primeiro encontro da programação “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”

 

 

Conferência

Logo após a solenidade de abertura, o Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho ministrou conferência sobre “Litigância Predatória e Integridade Judicial: Paradigma do Código de Processo Civil”. A presidência da mesa coube à Diretora da EJUD1, Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo Coutinho.

Painel I

Ainda na parte da manhã, o primeiro painel do evento foi presidido pela Conselheira Consultiva da EMERJ, Desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira, que abordou o “Sistema brasileiro de precedentes: balanço e novas perspectivas”. Em seguida, o Diretor Geral da EMARF, Desembargador Federal do TRF2 Aluisio Gonçalves de Castro Mendes discorreu sobre o tema “Precedentes e coisa julgada”, com a Professora Doutora Teresa Arruda Alvim, livre-docente em Direito pela PUC-SP.

 

Mesa do Painel I
A partir da esquerda: Desembargador Federal Aluisio Gonçalves de Castro Mendes, Desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira e Professora Doutora Teresa Arruda Alvim

 

 

Ao abordar o tema “Precedentes e coisa julgada”, o Desembargador Federal Aluisio Gonçalves de Castro Mendes destacou que ambos os institutos têm como ponto de convergência a busca por segurança jurídica e previsibilidade, em um sistema que também precisa conciliar isonomia, racionalidade e flexibilidade. Para o magistrado, o sistema de precedentes instituído pelo CPC de 2015 representou uma inovação importante ao ampliar a força da jurisprudência para além do âmbito constitucional e atribuir a todos os Tribunais o dever de uniformizá-la. Nesse contexto, ressaltou o papel fundamental dos Tribunais de segundo grau na formação dos entendimentos jurídicos, especialmente diante da impossibilidade de o STF e o STJ examinarem todas as controvérsias do país.

Segundo o Desembargador Federal, a expansão do acesso à Justiça após a Constituição de 1988 e o consequente crescimento das demandas exigiram novos instrumentos capazes de assegurar direitos e, ao mesmo tempo, racionalizar a gestão dos processos. O sistema de precedentes, dessa forma, modificou a própria concepção de jurisdição: decisões tomadas em casos relevantes deixam de produzir efeitos apenas sobre as partes e passam a servir de referência para toda a sociedade. Nesse cenário, defendeu que “julgar menos e julgar melhor” pode ser mais efetivo do que privilegiar apenas resultados quantitativos: “Mais importante do que julgar centenas de casos sobre a mesma questão é selecionar as controvérsias representativas, levá-las aos órgãos de uniformização e firmar o entendimento do Tribunal. Com isso, podemos reduzir a repetição de processos e fazer com que essa jurisprudência chegue aos Tribunais Superiores de forma mais amadurecida, debatida e concentrada.

Painel II

Na parte da tarde, os trabalhos foram retomados com o segundo painel do encontro, sob a presidência de mesa da Desembargadora do TJRJ Maria Cristina de Brito Lima. O painel discutiu “Cooperação judiciária, juiz natural e princípio da eficiência processual”, com o Corregedor-Regional da Justiça Federal da 2ª Região, Desembargador Federal do TRF2 Firly Nascimento Filho; “A vedação da decisão surpresa no direito comparado e nacional”, com a docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Doutora Carolina Paes de Castro Mendes; e “O Processo Civil brasileiro tornou-se mais democrático, previsível e eficiente?”, com o Presidente da Comissão de Direito Processual Civil do IAB, Professor Doutor Pedro de Souza Gomes Milioni.

 

Mesa do Painel II
A partir da esquerda: Professor Doutor Pedro de Souza Gomes Milioni; Desembargador Federal Firly Nascimento Filho; Desembargadora Maria Cristina de Brito Lima; e Doutora Carolina Paes de Castro Mendes

 

 

O Corregedor-Regional da Justiça Federal da 2ª Região, Desembargador Federal Firly Nascimento Filho, destacou que a interpretação do CPC de 2015 precisa considerar a realidade consolidada do processo digital. Ao abordar o princípio da cooperação, previsto no artigo 6º da norma, ressaltou que ele pressupõe uma participação ativa do juiz com as partes na condução do processo, inclusive com instrumentos como a calendarização dos atos processuais, capazes de reduzir os chamados “tempos mortos” e contribuir para a duração razoável do processo. O magistrado ponderou, entretanto, que a aplicação desse modelo enfrenta dificuldades práticas diante do elevado volume de processos sob responsabilidade das unidades judiciais.

 

Corregedor Firly
Corregedor-Regional da Justiça Federal da 2ª Região, Desembargador Federal Firly Nascimento Filho

 

 

O Desembargador Federal Firly Nascimento Filho também chamou a atenção para a necessidade de compatibilizar a cooperação judiciária, inclusive nacional e internacional, com a garantia constitucional do juiz natural, que pressupõe competências previamente estabelecidas e impede a criação de juízos excepcionais. Para o Corregedor-Regional, embora os mecanismos de cooperação possam contribuir para uma prestação jurisdicional mais eficiente, seu avanço exige maior normatização, de forma a proporcionar segurança jurídica e evitar questionamentos quanto à competência e ao exercício da atividade jurisdicional.

 

Integrantes do Painel
Participantes do evento “10 Anos de Vigência do Código de Processo Civil – CPC: Balanço e Perspectivas”

 

 

Painel III

A programação da tarde prosseguiu com o Painel III, presidido pela Vice-Presidente do Conselho Consultivo da EMERJ, Desembargadora Ana Maria Pereira de Oliveira. Foram debatidos o “Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) e Incidente de Assunção de Competência”, pelo Defensor Público José Roberto Mello Porto, da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro; “A relevância da questão de direito no recurso especial”, pelo membro do Fórum Permanente de Direito Empresarial da EMERJ, Professor Doutor Rodrigo Cunha Mello Salomão; e “A tentativa da autocomposição prévia como condição de acesso à Justiça”, pelo Coordenador Adjunto do Programa de Pós-Graduação em Direito – PPGD/UNESA, Professor Doutor Adriano Moura da Fonseca Pinto.

Programação reúne ministros, magistrados e juristas em quatro encontros no Rio

Os encontros seguirão nos dias 21 (no Auditório Machado Guimarães da PGE-RJ), 25 (no Auditório Délio Maranhão do TRT1) e 28 de setembro (no Plenário do TRF2), em diferentes instituições do Rio de Janeiro. A programação reunirá magistrados, advogados, professores, membros do Ministério Público, defensores públicos, procuradores e estudiosos do Direito Processual Civil para uma ampla reflexão sobre os dez anos de vigência do Código de Processo Civil.

O evento conta com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), da Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ), do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Estácio de Sá (PPGD/UNESA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e do Instituto Justiça & Cidadania.

Ao longo dos encontros, o curso contará com a participação de destacados magistrados, juristas, professores e especialistas do país. Entre os temas em debate estarão precedentes, coisa julgada, provas, inteligência artificial aplicada ao processo, processo eletrônico, tutela provisória, convenções processuais, competência, recursos, efetividade da jurisdição e os principais desafios e perspectivas decorrentes de uma década de aplicação do Código de Processo Civil.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo formulário:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdGR1VhzAUbuOeKGwimG2pv0RHLvvTjIsg8OoV5WvkjBUV77Q/viewform?pli=1

Confira abaixo a programação completa de todos os encontros.

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