Memória da Justiça Federal, memória do Brasil – Quatro anos de pesquisa no Arquivo Judicial da Justiça Federal rendem vasta produção acadêmica

Publicado em 24/06/2009

Quatro livros, quase uma dezena de monografias de graduação, pelo menos uma dissertação de mestrado, alguns trabalhos de qualificação de doutorado e dúzias de artigos e apresentações feitas em seminários e congressos no Brasil e em Portugal. O saldo em produção acadêmica derivada do material pesquisado no Arquivo Geral da Justiça Federal na 2ª Região é, nas palavras da professora Gladys Ribeiro, “no mínimo impressionante”. Doutora em História e docente da Universidade Federal Fluminense, ela orienta grupos de alunos que trabalham desde 2004 nos processos judiciais arquivados no prédio localizado no Bairro Imperial de São Cristóvão, próximo à zona portuária do Rio de Janeiro: “É impossível enumerar o volume e a qualidade das informações que se pode extrair para a pesquisa em História. Questões como a inserção do imigrante no Brasil a partir do final do século 19, o desenvolvimento das relações de trabalho, da tecnologia e da indústria, as mudanças nas estruturas familiares, o papel da mulher…tudo isso e muito mais está presente naqueles processos”, diz a estudiosa.

longo desses quatro anos, professores, técnicos e alunos das faculdades de História, Direito e Arquivologia da UFF vêm organizando, selecionando e classificando processos judiciais ajuizados a partir do primeiro ano da República Velha, inaugurada em 1889. Iniciada em 2004, a organização do arquivo faz parte de um projeto para preservação da memória institucional da Justiça Federal desenvolvido graças a um convênio firmado entre o TRF2, as Seções Judiciárias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e a universidade. A gestão desse convênio, fica a cargo do desembargador federal Paulo Barata, que preside a comissão – composta de desembargadores, juízes e servidores – responsável por gerenciar a execução do programa de memória institucional.

projeto prevê a análise e indexação dos documentos que cobrem os quase 17 quilômetros de prateleiras que ocupam o arquivo. O material riquíssimo permite pesquisas não só sobre os institutos jurídicos e sobre a jurisprudência desses cem anos de atuação da Justiça Federal, mas também sobre temas de interesse das mais diferentes disciplinas que podem ser encontrados nessas dezenas de milhares de causas julgadas: da Arquitetura à Sociologia; da Medicina Sanitária à Ciência Política…

A íntegra da matéria acima pode ser lida na versão eletrônica da revista Habeas Data 70, que você pode acessar clicando aqui